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Paginação de juntas em pisos: cuidados no projeto geométrico

Em um projeto de piso em concreto, as juntas são imprescindíveis ao controle de fissuração. Possuem papel fundamental no processo de dimensionamento, ditando, principalmente, a dimensão das placas de piso (maior distância possível entre juntas), que varia de acordo com as condições do terreno e a solução técnica adotada, entre outras características.

Acontece que, mesmo criadas para aliviar os esforços de retração e minimizar a possibilidade de patologias, as juntas podem se tornar vilãs das operações, caso não recebam a devida atenção na fase de desenvolvimento, execução e tratamento.

Por isso, além de nos esforçarmos para projetar soluções com a menor quantidade de juntas possíveis, temos a importante tarefa de realizar o projeto geométrico com a melhor disposição destas juntas no piso.

Trata-se do processo de modelar as placas de piso oportunamente e de modo a minimizar os riscos de ocorrência de patologias, principalmente a partir da correta conciliação espacial das extremidades de suas juntas com as diversas interferências com as quais podemos nos deparar nos empreendimentos.

Entre os principais cuidados, podemos destacar:

  • Via de regra, quanto mais próxima de um quadrado for a geometria da placa, melhor será a distribuição das tensões de retração e menor serão os riscos de fissuras;
  • A largura da faixa de concretagem deve ser consistente com os índices de planicidade exigidos para o uso do piso;
  • Preferencialmente alocamos juntas de construção de forma coincidente ao sentido dos porta-paletes e/ou do sentido do tráfego de maior intensidade no empreendimento. O ideal é dispô-las, sempre que possível, abaixo destas prateleiras;
  • Em relação às interferências que geram cantos reentrantes (caixas de inspeção, pilares, alvenarias/muros etc.), estudamos cada situação, direcionando o melhor encontro possível, preferencialmente coincidindo as extremidades de juntas com as quinas destas interferências. Outra possibilidade é o emprego de fôrmas de geometrias circulares ou de frações de circunferência, arredondando as quinas de interferências, por exemplo, como pilares (Figura 1);
  • Principalmente (mas não exclusivamente) em projetos de implantações, nos preocupamos em prever ângulos sempre superiores a 90º no encontro entre juntas. Além disso, garantimos que as juntas de construção ou serradas sempre encontrem uma curva perimetral do piso em ângulo igual a 90º, antecipando uma conhecida condição geométrica de fissuras observadas nestas situações (Figura 2 e 4);
  • O comprimento de uma junta de construção ou serrada deve ser, no mínimo, igual a 50 cm (Figura 2);
  • Com a determinação estratégica de posição das juntas de construção (onde são posicionadas as formas que delimitam cada etapa de execução), são evitadas condições adversas de geometria das faixas/panos de concretagem diárias. Geometrias em formato de “L”, “U” ou “T” têm enorme propensão a gerar fissuras antes que seja possível a realização dos cortes de indução das juntas serradas (influenciadas pela forte retração do concreto nas primeiras horas);
  • Uma junta de construção ou serrada não deveria terminar em outra junta de construção ou serrada, sempre deverá terminar em uma junta de expansão (figura 3);
  • Outro recurso, como a utilização de barras de transferência de seção quadrada com EPS nas laterais, é utilizado em situações nas quais se torna inevitável o término de uma junta (serrada ou de construção) no limite transversal de outra junta de construção (quando são formadas as situações de juntas “T”), entre outras situações.

Eng. Pedro Teixeira dos Santos | Coordenador do departamento de obras da LPE Engenharia